sábado, 27 de fevereiro de 2010

Veronika decide morrer


Ah tudo bem, parece chato mesmo. Nascer, crescer, morrer. Mas ta aí um ditado popular que me parece sempre certo. “Agente só da valor quando perde”. E olhe que Verônica não precisou perder a vida para aprender a amá-la. Depois da tentativa do suicídio foi bastante a noticia dada por seu medico: “em poucos dias morrerás” a causa foi uma doença provocada pela tentativa abusada de morrer com remédios.

Na clinica Verônica apaixona-se, e isso lhe torna sensível as delicias escondidas nas coisas simples da vida.

Por sorte o médico estava mentindo, e talvez essa mentira lhe fez viver, já que os suicidas nunca sossegam.

Felipe.

Helena


Helena era uma bela e misteriosa moça. Cheia de inocência, encanta a todos com sua maneira simples de lhe dar com as coisas da vida.O livro Helena é um romance de Machado de Assis.

Felipe.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Chulé

Ao acordar Arnaldo consulta o relógio, são 10 horas, a reunião dos professores começa em 30 minutos. 20 minutos é o que ele leva para chegar ao colégio. Apóia-se na beira da cama e levanta, dormente estava ainda tonto e meio surdo, abre a janela que traz luz ao quarto e com a testa franzida apanha as mesmas vestes de outrora. Arnaldo apressadamente vai ao banheiro e escova os dentes, só com a escova, sem o creme dental. Ele corre, mas chegam 5 minutos atrasado a reunião. Senta-se. Era uma mesa redonda de oito lugares. Sete estava ocupado, o que fez chamar a atenção do oitavo ocupante que chegara.

Todos discutiam sobre os alunos que estariam se formando naquele ano, Arnaldo já tinha exposto as suas opiniões. Permaneceu sentado com os cotovelos a mesa, uma das mãos alisava o bigode enquanto a outra segurava um lápis grafite. Ele observava e dava mais opiniões, sendo que agora em pensamentos. Aquele jeito de sentar lhe fazia um caminho livre dos pés até as narinas o que lhe fez perceber um mau cheiro que exalava dos seus pés, Arnaldo começou a olhar de lado, depois para todos os lados, procurando nos olhos dos colegas o que seria a confirmação de tudo. De repente, Jussara a professora de Português coça o nariz o que coincide com a passagem de vista de Arnaldo que vinha contrária e lhe deixou na dúvida, com medo de virar o rosto e, confirmar que o mau cheiro já se espalhara. Era o fim da reunião, o ambiente era descontraído e Arnaldo que era muito divertido dessa vez nem saiu da mesa, aguardando que todos saíssem. Cochichos e risadas que vinham lhe faziam suar, mais dali Arnaldo foi o ultimo a sair.


Felipe.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Era uma vez...


Rio de Janeiro. Dé (Thiago Martins) mora na favela do Cantagalo, em Ipanema. Filho da empregada doméstica Bernadete (Cyria Coentro) e abandonado pelo pai, Dé viu seu irmão Beto ser assassinado por um traficante e seu outro irmão, Carlão (Rocco Pitanga), ser exilado da favela pelos bandidos. Decidido a não seguir o caminho do crime, Dé trabalha vendendo cachorro-quente num quiosque da praia. De lá ele observa Nina (Vitória Frate), filha única de uma família rica que mora na Vieira Souto, rua em frente à praia de Ipanema. Os dois se conhecem na praia e acabam se apaixonando. Porém as diferenças entre seus mundos de origem geram diversas críticas e preconceitos velados.

Era uma vez...

Um exemplo de honestidade, uma história que toca aqueles que buscam o caminho do bem. Que sentem orgulho em motorizar atitudes legais, que enxerga um futuro independente de suas condições e, que acredita fielmente no amor. Um amor que será sempre mais forte a cada problema surgido.

Felipe.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O gigolô das palavras.


Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa ("Culpa da revisão! Culpa da revisão !"). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.
Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.
Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas - isso eu disse - vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.
Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa ! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.
Luís Fernando Veríssimo.

Gramática.


A gramática, de fato, não é o principal elemento para a existência da comunicação. Prova disto é a própria população brasileira, que tem grande porcentagem de indivíduos analfabetos e nem por isso anti-sociais ou incapazes de se expressar.

Por outro lado, indo contra a opinião do autor, é inadmissível a um professor da língua, jornalista, ou qualquer outra pessoa que vive da língua oral ou escrita desmerecer o uso da gramática.